Brasil

Meu onze de setembro de 2001

Esse post foge um pouco das temáticas habituais do blog, que são as viagens, essa semana ainda eu prometo postagem sobre o tema ok? Mas mesmo fugindo do tema, achei pertinente falar do meu onze de setembro de 2001, pois foi muito, muito peculiar…
Eu havia me formado seis meses antes, mas vivia em Foz ainda, me preparando pro mestrado e fazia uma graninha extra dando aulas de português para estrangeiros. Na manhã do dia onze de setembro eu estava sonolenta ainda, mas já sentada na sala de jantar para começar a aula com um casal de alunos: o sacerdote (sheikh) da mesquita de Foz e sua esposa – Eu dava aula de frente pro minarete da mesquita duas vezes na semana. Iniciamos a aula, revisando lições e etc quando o telefone tocou. O sheikh atendeu meio contrariado, pois não gostava de interromper a aula, ao desligar nos disse “o fulano ligou avisando que caiu um prédio em Nova Iorque, não sei porque me ligou para dizer isso”. A esposa dele era muito interessada nos assuntos relacioandos aos Estados Unidos, pois recem tinha voltado de uma temporada longa em Boston, e quis prontamente ligar a televisão, o que ele não quis, pois eu estava lá, esperando para começar a aula né?
Terminamos a aula rapidinho, pois estavam os dois ansiosos, e o telefone havia tocado outro par de vezes ao longo da manhã, sem ser atendido. Mas isso já foi me sinalizando que essa história de prédio em Nova Iorque deveria ser séria e quente. Mal guardei os livros e a TV já estava ligada na Rede Globo, e eu me sentei no sofá com eles para ver a notícia, e ia traduzindo o que o Luiz Fernando Silva Pinto ia dizendo, e corrigi a informação: “opa, mas o prédio não era em Nova Iorque, era em Washington, o Pentágono!” Susto nos três.
Instantes depois me corrigi e disse: “nossa, é em Washington E Nova Iorque…. Suspeitam de terrorismo”. Ao dizer isso, me recordo de ver o sheikh muito atônito, e sua esposa idem, eles anteviam o que eu não era capaz naquele momento, quando eu lhes disse: “tudo bem….”, mas ele me interrompeu “você não entende? Não está tudo bem, seremos acusados de tudo isso”. Ainda fiquei com eles mais uns cinquenta minutos vendo a tv… acompanhando-os naquele momento, que para eles era muito claro: mudaria a nossa forma de viver e ver o mundo.
Voltei para casa atônita, mais por ter compreendido o inferno que a vida daquelas pessoas que me são tão caras, e tantos outros, iria se transformar e menos pela queda de dois prédios em Nova Iorque.
Depois disso, é claro que as aulas seguiram, mas todos os dias eu via um desfile de jornalistas na porta daquele homem, que era um líder naquela comunidade tão expressiva em Foz. Vi desde a Gazeta de Foz até o The New York Times querendo entrevista-lo. Li todos os grandes-pequenos veículos de informações do Brasil noticiar a minha cidade, acusar os seus moradores de tantas coisas, inventando tantas estórias. Vi conhecidos serem presos no Paraguai, e outros, particularmente mulheres cobertas, serem hostilizadas verbal e fisicamente na cidade. Senti isso na pele, fui também ofendida saindo da casa destes alunos, ainda com a cabeça coberta, por um jornalista argentino.
Vi a islamofobia ser verbalizada por quem quisesse, agora havia um motivo. Mas vi também a novela O Clone estourar em audiência, e aqueles mesmos que ofendiam árabes e muçulmanos buscavam aulas de dança do ventre, restaurante árabe, dançavam Kaled e Tarkan na noite iguaçuense. E alguns tantos se convertiam ao islam.
Vi atônita tudo isso, sem entender. Vi as pessoas acusarem árabes e muçulmanos de terroristas, insanos, crueis e ao mesmo tempo dizer: bem feito para os Estados Unidos… Mas principalmente, eu vi o quanto no Brasil, um cidadão ordinário é mal informado, mal formado, dependente do Wilian Bonner para ter uma opinião…. e vi isso com pesar.
Essa semana, fui bombardeada com programas especiais sobre o onze de setembro em todos os canais do sistema globosat, uma coisa mais cansativa do que reprise de final da copa do mundo com o Brasil campeão. Numa tentativa, bem sucedida, de comover o espectador, tocar os sentimentos de quem é pai, mãe, bombeiro… mostrando o episódio sob todos os ângulos possíveis, desde que da ótica americanista vítima. Me irritei muito… gostaria que por um dia apenas dessem esse mesmo destaque para a causa palestina, fazendo com que eles contassem como vivem privados de qualquer tipo de dignidade humana… Mas é claro que isso não ocorre né? Mas nem vou entrar nessa questão, porque essa sim me faz chorar.
Um ano depois do atentado nos EUA, eu recebi um e-mail que me marcou, sobre o qual penso sempre… e ainda nove anos depois de ter recebido-o acho pertinente publicar aqui…
Boa leitura, um abraço, e até a próxima!

UM MINUTO DE SILÊNCIO

UM MINUTO DE SILÊNCIO
Com certeza você ficou horrorizado com o ataque terrorista de 11 de setembro, depois de um ano desse ato terrível vamos fazer um minuto de silencio em respeito aos 3.000 americanos, a maioria civis, assassinados covardemente por terroristas.

Agora por ordem de justiça vamos fazer silêncio por:

QUATORZE MINUTOS em homenagem aos 70.000 civis japoneses mortos no bombardeio a Hiroshima,

OITO MINUTOS em homenagem aos 40.000 civis japoneses no bombardeio a

Nagasaki.

VINTE MINUTOS de silencio pelos 100.000 civis cambojanos que morreram nos

bombardeios que Nixon ordenou,.

CENTO E CINQUENTA MINUTOS de silencio para homenagear os 750.000 civis norte

vietnamitas que morreram nos bombardeios sistemáticos e consecutivos a cidade de Laos.

VINTE E SEIS MINUTOS pelos 130.000 civis iraquianos mortos em 1991 por ordem de

Bush pai.

UMA HORA pelos 300.000 civis palestinos massacrados por Israel com armamento

americano…

QUARENTA MINUTOS pelos 200.000 iranianos mortos pelo Iraque com armas e

dinheiro dados a Hussein pelos mesmos AMERICANOS que mais tarde viraram seus

inimigos..

TRINTA MINUTOS pelos russos e os 150.000 afegãos mortos nas mãos do Talibán,

também armas e dinheiro de USA…

MEIA HORA pelos 150.000 mortos por tropas americanas na invasão do panamá…

MEIA HORA pelos 150.000 inocentes nos bombardeos americanos a Kosovo.

Fazendo isso você ficaria em silencio por SEIS HORAS e CINQUENTA E TRES MINUTOS

UM MINUTO para todos os TRES MIL americanos…

SEIS HORAS e CINQUENTA E TRES MINUTOS para TODAS suas vítimas…

!!!DOIS MILHOES E CINQUENTA E OITO MIL ALMAS!!!…

A reflexão é, quantos minutos devemos guardar para o ataque ao Iraque?

Mesquita Omar Ibn Al Khatab, Foz do Iguaçu. fonte: CCBI
Etiquetas
Mostrar Mais

Posts Relacionados

3 Comentários

  1. É filha, gostei muito do seu comentário, sabemos que ninguém pensam em todas essas vítimas vitimados por ordem de quem tem tão pouco senso!… É e assim vão apenas pensando nos seus umbigos….Como diz o ditado “Aqui se faz, aqui se paga” Mesmo que pra isso, tenha que ser com inocentes….
    Um beijão filha, fica com Deus e até mais…

  2. I remember that day as if it was yesterday and not 10 years ago… Your blog brought back so much memories that I’ve tried to forget, especially the endless interviews of all the newspapers, TV channels and even Radio channels that we conducted for years afterward, asking the same tedious questions over and over again, some of which seemed like an investigation more than an interview… Great blog, wish to read more like it… XOXO

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja Também

Fechar
Botão Voltar ao topo
Fechar