Ásia

Istambul

Istambul é a mais importante cidade da Turquia, não é a capital, mas é o maior centro financeiro e cultural do país. Não é uma cidade das mil e uma noites como Damasco e Bagdad seriam pela origem dos contos desse clássico. Contudo para mim Istambul é a cidade dos meus mil e um sonhos! Já li muitos livros sobre Istambul e as descrições dessa cidade já me ajudaram muitas vezes a dar volta na insônia. Imaginar o Palácio Topkapi, as muitas mesquitas e os seus minaretes apontando para o céu, as milhares de lojas do grand bazaar e me divertir com a sonoridade das palavras Istambul (com ênfase no ul, claro), Bizâncio (aqui a ênfase é o zân) e Constantinopla (sem ênfase, apenas brincando com a longa palavra)… Todas já foram nomes dessa cidade que já foi conquistada por muitos e desejada por todos e todas essas imagens já me seduziram em alguma noite insone.
Para mim, visita-la é sim realizar um sonho, é ver com meus olhos o que já vi muito na minha imaginação. Além disso, é a primeira cidade muçulmana que visito, e isso por conta me deixou emocionada…
Oras, por tudo isso amei Istambul e já quero voltar. Mas existe mais, a cidade me encantou de outras formas, me seduziu de maneiras ardilosas e definitivas. No voo de volta a Frankfurt fui olhando o mapa do mundo e imaginando que realmente essa cidade que está metade na Europa e metade na Ásia divide o mundo: a partir dela nada é absurdamente longe como do Brasil, por exemplo. E a partir dela tudo é possível de ser visitado… ela divide o mundo… ela é o meio do mundo.
Chegamos a noite e do aeroporto até o centro fui caladinha, observando… Ao chegar ao centro me deparei com a Mesquita Azul toda iluminada…. Tão linda… Fui dormir ansiosa para o dia amanhecer logo… Queria botar o pé na rua e sentir Istambul intensamente.
A primeira parada foi no museu Hagia Sofia: essa edificação já foi mesquita e depois convertida a igreja. Para cessar a discussão hoje é um museu que abriga belíssimos e famosos mosaicos que todos já vimos nos livros de história. Saímos de lá e fomos para a Mesquita Azul: grandona, cheia de abóbodas, cheia de turistas e fiéis… Ali eu me perdi em mim mesma algumas vezes, ali eu estive longe quase o tempo todo… com a cabeça orientada para muitos lados, olhando para tudo, fotografando tudo… queria eternizar aquele momento a todo custo: Eu estava na Mesquita Azul. Mas de repente o momento da oração do meio dia se aproximou e fomos todos convidados a sair pois era a hora dos fiéis tomarem conta do lugar… eu saí, mas o fiz bem devagarinho e relutantemente.
Fomos almoçar ali por perto, ouvindo o Muezzim chamando para a oração: Deus é o maior e que em nome de Deus todos deveriam ir rezar. É claro que eu já tinha ouvido um chamamento antes, afinal quantas manhãs e tardes passei na mesquita de Foz? Mas ouvir em uma cidade muçulmana o som que todos os minaretes ecoam é outra coisa.
Mas passado o deslumbramento islâmico e a comilancinha de doces, os melhores do mundo com certeza, era hora de irmos para o Grand Bazaar: cinco mil lojas de muita quinquilharia, ouro e diversão!!! Risos. Era uma beleza… lujinhas lujinhas ouro muito ouro Inchallah!! Claro, negociações foram feitas e… todos felizes era hora de sair para o mundo externo e seguir o passo com as visitas. Sim o Grand Bazaar é igual a um cassino: não se vê muito facilmente a luz do sol possivelmente para que a pessoa não tenha muita noção do tempo lá dentro….
Fomos parar nas margens do estreito de Bósforo, no Mar de Mármara, era fato: estávamos de frente para o continente asiático… lá, do outro lado, na outra margem. Incrível né? Mas passar a ponte era algo não pensável, ela estava parecendo uma Ponte Internacional da Amizade em 20 de dezembro… Mas ao invés de compristas, eram pescadores… Oh!
De modo que avistamos outra mesquitona e resolvemos entrar: era a Nova Mesquita, muito parecida com a Mesquita Azul, mas na minha opinião mais incrementada. Ali não ficamos muito tempo, queria ir ao Bazaar de Especiarias, ou Bazaar Egípcio, ali do ladinho.
Oh que lindo bazar, que inebriante cheiro, quantas delícias provamos… Queria por o nariz em tudo, levar 100gr de cada um dos pós que formavam os montículos de temperos das lojas…
De lá voltamos para o hotel, para um banho de piscina e jantar. O dia havia sido super estimulante e precisávamos relaxar.
No dia seguinte prontamente fomos ao Palácio Topkapi, que já digo logo: para mim foi algo decepcionante… Era uma desordem e uma falta de sinalização que obstruía a fruição do atrativo… Claro que é bonito, mas eu queria ver mais do que armas e jóias… De modo que lá não ficamos muito, saímos para almoçar e tomamos um city tour para podermos ir até o lado asiático… O sol estava de rachar, e o trânsito em pleno domingo era inacreditável de congestionado. O lado asiático a mim  me pareceu mais moderno e movido. O tour levou horas… pois o ônibus não andava… o sol esquentando a moleira o cansaço batento… descemos para o andar de baixo para nos proteger do sol e assar no calor que fazia… Mas foi sem dúvida um passeio interessante, no qual pudemos ver áreas da cidade que sem ele nos teria sido difícil… Foi possível ver as inúmeras famílias fazendo pic nic nos margens do Mármara, crianças brincando… Ver as muralhas que protegiam essa cidade e mesquitas, muitas mesquitas.
A noite, antes de ir para a piscina do hotel, passamos para fazer a reserva no restaurante que era o ‘number one’ da área em que estávamos, segundo o recepcionsta do nosso hotel. Se era o número um eu não sei, mas era excelente sim, com muita certeza…. que deliciosa sopa e carninha… Saindo de lá decidimos dar uma caminhada pela cidade… a noite ela se pinta de azul marinho e outros tons frios… as mesquitas seguem ecoando Allah u Akbar, as pessoas nas calçadas comendo, bebendo… algumas crianças tocando flauta por alguns trocados… as lojas que se recusavam a fechar.. a vida fervilhante. Paramos por alguns minutos na frente de um restaurante no qual 3 rapazes animadamente dançavam e cantavam… Uma vida, Istambul vive de dia e vive de noite…
No nosso último dia, acordamos cedo, tomamos um último chá de menta no hotel e fomos para o Gran Bazaar novamente, para comprar algumas encomendas para lá de especiais, passamos no Oto Parque para dar um rolê rápido e nos encontramos com um animado grupo de alunos que passeavam com suas professoras… dissemo-nos hello, bom dia! Uma graça. Aliás, uma graça como existem grupos de estudantes por toda a cidade supervisionados pelos professores, até no Grand Bazaar os vimos.
Deixamos Istambul com a forte promessa de voltar, e voltar logo e ver os Derviches, ir no banho turco, comprar quinquilharias e alimentar a sedução dessa cidade tão encantadora. Podemos voltar amanhã? Já estou preparada para mais negociações infinitas no Bazaar, para a emoção que o islamismo sempre me provoca, para os sabores. Já quero tudo isso de novo. Istambul, a velha cidade conquistada e conquistadora que se recusa a envelhecer, se recusa… Insiste em ser islâmica e conservadora mesmo quando tantos querem que ela se modernize e se volte para a Europa. Essa velha cidade meio asiática meio européia… tomou meu coração!

Na Haggia Sofia
Na Haggia Sofia
Na Haggia Sofia
Lindos mosaicos: Na Haggia Sofia
A mesquita azul
na mes
Na Mesquita Azul

 

Na Mesquita Azul

 

Na Mesquita Azul: na hora da oração eles fecham a porta da mesquita para preservar os fiéis dos olhares de gente curiosa como eu!
doces, muitos doces
uma das entradas do Grand Bazaar
Grand Bazaar
Grand Bazaar
Nova Mesquita
Nova Mesquita
Bazaar de Especiarias
Palácio Topkapi
Palácio Topkapi
Palácio Topkapi
Mesquita no lado asiático da cidade
Praça Taksim: lado asiático da cidade
animado picnic de domingo com a família
vai um pãozinho fresco?
crianças no Oto Parque. hello!
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