Europa

Doei para Museu das Relações Rompidas

Meu vestido de noiva.

Em comemoração  à Semana do Museus, MuseumWeek, de 2019 decidi escrever um post sobre museus, tratando da minha relação com esse tipo de instituição sob outro viés: A experiência de ter doado uma peça muito íntima para o Museu das Relações Rompidas, Brokenship Relations Museum.

Sorridente e feliz!

É curioso, todos os anos eu posto aqui algo para celebrar a Semana dos Museus, que se inicia hoje segunda-feira, mas sempre sob a ótica da visitação. Mas como amante dos museus de variados temas, eu decidi escrever esse post que é outro da coleção ‘íntimo e pessoal‘ para também falar sobre esse museu na cidade de Zagreb, capital da Croácia.

Eu já tinha ouvido falar sobre ele por amigos, sempre me pareceu inquietante ter um museu que se dedicasse ao fim das relações e quando coloquei Zagreb no meu roteiro de novembro de 2018 também coloquei esse museu na lista do que queria visitar. Então, com taças de vinhos em mãos em jantarzinho com amigos conversamos: por que não doar o vestido de noiva para o museu? A pulga ficou me pinicando atrás da orelha até que entrei em contato com o museu pelo site, consultei as possibilidades de doar fisicamente o vestido.

véu francês mon amour.

Escrevi o relato em português mesmo, assinei o termo de anuência e pronto… estava lá o projeto embrionário.


O vestido estava guardado com uma tia, junto com véu e outros acessórios, já pedi para deixar preparado para ser enviado para Sorocaba pois minha mãe iria leva-lo para mim. E a parte de convencer minha mãe a levar na mala dela o vestido foi fácil, ela entrou muito bem na ideia da doação para o acervo. Tudo estava indo bem e como planejado. Encontrei meus pais em Milão para iniciar a viagem e eu só havia me certificado de que o vestido estava vindo conosco pela viagem, mas não tinha pedido para vê-lo.

Quando amanheceu o dia combinado de ir levar o vestido pro museu… pedi para ve-lo. Ele é tão lindo, tão fino, tão elegante… Mas eu não me reconhecia na mulher que o havia usado. Definitivamente eu era outra pessoa, e doar esse vestido para compor um acervo (eles têm poucas peças grandes e poucas contribuições da América do Sul em geral e do Brasil em Particular) contando um pouco da história do fim do meu casamento e a relação com a Croácia – já contei isso no posto linkado a cima como íntimo e pessoal, mas vou sumarizar aqui:

Eu estava na Croácia, em viagem de trabalho, quando chegando em São Paulo, o ex-marido me ligou para dizer que era o fim da casamento. Nunca ele foi capaz de me oferecer a verdade ou uma explicação, só me ofereceu a minha culpa. Nunca me ofereceu sinceridade para explicar seus atos de marido infiel. E eu vivi com água pelo pescoço sem entender até mais ou menos na época em que decidi doar o vestido, quando uma amiga me contou que ele sim tinha outra pessoa… – Era  para mim o fim de muitos ciclos, o cicatrizar de muitas feridas. Doar o vestido foi um ato simbólico necessário.

Do you believe in life after love?

Chegando ao museu eu me apresentei, tirei o vestido da mochila com as cartas necessárias e coloquei no balcão. A pessoa que recebeu foi terna e delicada com a peça e comigo, eu ainda apalpei algumas vezes sentindo o macio do tecido, fechei os olhos um instante para me recordar da felicidade que senti quando o usei e… não consegui sentir isso, eu só lembrava da dor que o casamento, o meu casamento me representa.

partes do museu

Doei feliz, certa de que logo ele entrará em acervo (ainda não está), certa de que outras pessoas lerão meu depoimento e vão também se emocionar com ele como eu o fiz com os depoimentos e objetos alheios.

A vida é assim né? As vezes vamos nos distraindo das dores das outras pessoas para dar espaço à nossa própria dor… Elaborar a nossa própria dor e fechar um ciclo desses.

Foi bonito, simbólico, aliviante.

da fachada

E o Museu? Ah, ele é bem legal, recomendo muito. Não é grande, mas é bem especial. Cheio de afetos findos.

Você já doou algo para um Museu? Já visitou o das Relações Rompidas? Conta para mim sua experiência!

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Em tempo: A Semana dos Museus – de 13 a 19 de maio de 2019 – a web social une-se à #MuseumWeek e às hasthags da 6.ª edição. Uma sinergia única no mundo, fonte de tráfego, diversidade e criatividade. A #MuseumWeek convida a incentivar as experiências de museu mais
transversais, lúdicas e educativas, e a comunicá-las nas redes sociais. Em 2018, cerca de 5.000 instituições culturais participaram no evento em 120 países, sendo que o ano de 2019 é bastante promissor. Esse convite dirige-se particularmente às regiões sub-representadas na participação,
nomeadamente a África (0,6%), a América latina (5%) e a Ásia (8%).

Objetivo: mobilizar amadores e profissionais em torno da Cultura, dar visibilidade, abertura internacional, suscitar o interesse dos visitantes, ouvir o público, enriquecer as bases de dados, inventar animações, defender valores.

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6 Comentários

  1. Nossa Poli, que legal!! Eu bem sei o que foi tudo isso pra você e me orgulho muito de ver a mulher que você se tornou depois de tudo! Sua força é admirável e sua atitude também. Como eu sempre falo: o passado não tem futuro…
    Você fez bem… essa doação foi linda e tira de você um pesinhos não te pertence e dá as outras pessoas a força que elas precisam!! Parabéns pra você!!!
    🌹❤️

  2. É… Foi muito bom!…..vivemos aqueles momentos, com vc, muito natural, pois sabia que daquela forma, realmente era um ciclo que se transformava ainda mais a sua vida..
    Sabemos hj que o alivio daquela passagens e daquele relacionamento, foi como água no rio, passou…! Olhar pra frente, vislumbrar situações novas, cabeça erguida, sem culpas, esse sim foi e é o seu maior desejo, e ainda mais amadurecida, mais forte, mais mulher, mais amante de si própria, dona de seus próprios atos, esse sim sempre foi e será o sonho de cada mulher que passou pelo feito que vc foi alvo!
    Vá em frente, filha, pois o mundo lhes espera pra muitos voos , mas voos muito mais alto!….Vc sai dessa fortalecida com asas de gaivotas…..
    Vc sempre gostou de desafios, medo, nunca esteve em seu dicionário, continua sendo, corajosa, honesta, profissional, viajante de suas memória e pondo em seu currículo tudo que é bom!…. Parabéns, por ser essa pessoa alegre, amiga e essa filha maravilhosa!….Beijuuuu

  3. Olá Poli, vc foi corajosa e independente como sempre foi, voce ao se desfazer dessa peça de roupa, vc de um mais que uma passo para frente. E é para frente que a vida anda, já que nem para vc e nem para sua família deram uma justificativa para o fim desse relacionamento, não se tinha por que ficar guardando essa peça de roupa.” Aguas passadas não rodam moinho”. Parabéns , nesse momento com em outros a família esteve ao se lado e sempre vamos estar ok. Beijos com carinho

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