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Como foi para mim viajar depois do fim?

Na semana passada eu transcrevi depoimentos de amigas queridas sobre fins, perdas e lutos e como elas encaram as viagens a partir desses eventos. Essa semana me pareceu honesto com vocês tratar sobre como foi o meu fim e como eu encaro as viagens a partir daí.

Muitos foram os motivadores para eu escrever esse post, muita coisa está se mexendo dentro de mim e nisso eu passei a olhar para o blog tanto como informações sobre viagens com dicas mas também como relatos das minhas viagens e experiências – vivências. E nesse sentido, o fim do meu casamento tem um papel importante em como eu passei a escrever e a viajar.

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Já faz 4 anos que eu me separei. Foi para mim, de forma abrupta, violenta e covarde. Eu vinha chegando de uma viagem, sabe? Sim, eu vinha chegando de uma das viagens mais lindas da vida. Recebi a notícia da separação por telefone enquanto pegava as malas em São Paulo. A espera de conexão, o voo até Curitiba e a chegada até em casa foram de uma dor que eu nem sei explicar, acho que nem me lembro direito de tanto que doía. Os meses seguintes foram de luta. Lutei para não sucumbir ao sofrimento, lutei para tentar salvar minha integridade emocional (nem sei se ganhei essa luta), passei o mínimo possível de tempo em casa  (sempre que podia viajava com familiares e amigas, viajar era uma forma de escapar da realidade acachapante que eu vivia), lutei contra a burocracia de obtenção da bolsa de pós doutorado e visto para Espanha. Lutei, lutei como nunca imaginei que lutaria. Acabei 2014 exausta.

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Passados 4 meses da separação eu fui passar um período de um ano de pós doutorado na Espanha, um bálsamo estar longe de tudo e de todos. Uma dor estar sozinha vivendo naquela cidade linda, mas sozinha. Os primeiros meses foram dureza, mas assim como se abriu a primavera andaluza, eu também fui me abrindo aos poucos. Conhecendo pessoas, recebendo visitas de gente que me ama muito e se recusava a desistir da minha felicidade, viajando, conhecendo novos restaurantes e passeios na própria Sevilha.

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Me recordo que nas férias de verão eu viajei para Londres e havia sido a primeira vez que ia para uma cidade grande sozinha a lazer, absolutamente sozinha. Aquilo me deu um sentimento de liberdade tão grande, de não discutir o roteiro, os gastos, o transporte, o período, nada com ninguém! E eu nunca mais parei: Gran Canária, Valência, Paris, Madri, Lisboa, Peniche… todas elas sozinhona de tudo naquele 2015. Fora muitos outros passeios que fiz com amigxs, família, crush. Mas nada se comparava à sensação de estar sozinha, de ser dona de cada passo meu, de ser livre e ter poder total sobre a minha vida. Nunca mais senti esse lampejo como em Londres pela primeira vez, mas a sensação positiva de evasão criativa e necessária e a liberdade que tenho a cada nova viagem nunca mais me abandonou.

Depois de voltar para o Brasil eu ainda viajei, muitas vezes como uma franca fuga de uma vida crua que eu custei a entender que era a minha nova vida. Mas o tempo e a terapia ajudam muito e, hoje mais adaptada a mim mesma – sim gente, se reinventar é lenha –  eu vejo as viagens como uma coisa necessária para a minha rotina, saudável para a minha vida.
Encaro o ato de viajar com tranquilidade rotineira (até demais, cada vez menos planejo por exemplo hahhahahah em casa de ferreiro…).

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Sempre vou achar que uma viagem pode ajudar em diferentes situações, alegres ou tristes e podem ser uma fuga necessária e justa da vida que tantas vezes nos é duríssima. Para mim elas têm esse sentido, esses símbolos e essa importância. E para você?

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16 Comentários

  1. me lembro muito desse dia, falamos por telefone, depois você veio aqui passar uns dias na praia, conheço muito dessa sua luta para resistir viajando. isso importa, né? que a vida sempre te traga a serenidade de uma viajante! um beijo enorme!

  2. Querida Poli, li seus 2 posts com muita emoção. Textos fortes de momentos muito delicados da vida e fiquei a pensar nos multiplos sentidos que a viagem ter. Já tive necessidade de fazer uma viagem assim mas não fiz. Muito lindo. Obrigada por compartilhar sua vivência
    Beijo grande

  3. Polii

    Que lindeza este texto e além de ter me emocionado com ele, eu retomei muitos momentos juntos de você…
    Suas pequenas viagens nos primeiros 4 meses, sua chegada na Espanha, sua ida à Londres e a partir daí, o mundo que você passou a ganhar mais e mais

    Que bom que as viagens te fizeram e te fazem bem, mas estou felizona que a viagem mais linda que tenha feito foi aquela pra dentro de você mesma! Você se descobriu grande, se descobriu forte, se descobriu mais capaz do que nunca e EU ME ORGULHO MUITO DE VOCÊ

    Te amo e vida longa às viagens!

    1. Carol, mil obrigadas seriam poucos agradecimentos para você que sempre me acolheu nessa jornada. 🙂
      Quanto riso, lágrima, mala, mensagem, gole, carinho e histórias temos juntas a partir daí. Também te amo e estamos juntas sempre, de preferência viajando juntinhas

      1. Poliana… querida Poliana!
        Que belo texto: apesar da dureza vivenciada no real, extremamente terna a escrita. Penso que aqui vc se revela para muito além da letra. Qual o trecho percorrido, a aspereza te ensinou a leveza. E diante desta descoberta, a possibilidade de (ins) pirar-se novamente pela VIDA conferiu-lhe a graça de encantar-se pelo enigma do desanolamento dos significantes da tua linda história!. A cadência das viagens – em meio ao mar de solidão – devolveu-lhe o espírito da liberdade que lhe fora outrora roubada. Não mais Poliana, pois o sofrimento te (re)lembrou que ela é cara demais para ser confiada a alguém… por excelência, e livre arbítrio, a liberdade pertence apenas ao Sujeito que nos habita.
        Muitas viagens… é o que desejo a você.

      2. Quando o telefone tocou, sabia que era vc contando sobre sua viagem, e num gesto alegre, atendi. Do outro lado da linha, encontrei sua voz familiar e incrédula, ouvia palavras desesperadas em meio a um choro compulsivo…vc estava desnorteada… e nós, tão longe, sem saber como ajudar, sem poder te segurar em um abraço…. foi insano. De lá pra cá, vc lutou, se reinventou e conquistou o mundo, sem amarras, livre e plena. Somos gratos por todas as pessoas que estiveram ao seu lado, te ajudando nessa batalha diária, e sim, vc conseguiu!!! Tenha muito orgulho da pessoa que vc se tornou e obrigada por ensinar que para todo fim, haverá um recomeço. Te amo imensamente ❣️

  4. Emocionante seu texto, às vezes a vida nos dá uma rasteira, mas acredito muito na força que temos de nos inventar e nos tornarmos mais fortes nos momentos de dificuldade. Viajar é uma terapia pra mim, e a cada destino volto renovada. Continue assim, fazendo o que te faz feliz. Ótimas viagens pra você!

  5. Que texto lindo e cheio de emoção. Claro que chorei com o relato e sorri ao entender o qual libertador a viagem se tornou para você. Que você tenha muitas e muitas viagens!!!

  6. Primeiro Parabéns por “se abrir” assim aos seus leitores! O texto é emocionante e imagino que escrevê-lo te levou a “revive” alguns dos momentos e não deve ter sido fácil.
    Fico feliz em saber que passado esses 4 anos, você se reencontrou e que as viagens foram suas aliadas.

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