Diversos

Como era fazer Intercâmbio nos anos 90

Em dezembro de 1994 embarquei para uma das maiores aventuras da minha vida, tinha 16 anos e estava indo passar um ano em Ciudad Cuauhtémoc, Chihuahua no norte do México. Era um intercâmbio oportunizado pelo programa do Rotary International.

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to gata? to modela? hahahaha

Gosto muito de salientar que naquele período a internet tal como a conhecemos dava seus primeiros passinhos no âmbito civil, e o celular era um luxo! Logo, o intercâmbio nos anos 90 era algo bem diferente do que é hoje!

Assim, antes de eu ir, recebi de minha primeira família umas fotos deles, da cidade, da casa onde ficaria. Mas nada de googlar para saber como era tudo isso, ou ver no google street view. Na na ni na não. O recurso para saber onde ficava essa cidade no mapa era consultar o famigerado Atlas Mirador da Enciclopédia Barsa! Sim senhor! E com sorte encontrei a cidade lá! Ufa!

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Será que teria visto a imensidão da Serra Tarahuamara?

Também antes de ir, cabe dizer que o Mercosul estava em vias de consolidação e o idioma espanhol era ainda pouco ensinado e valorizado. Nós morávamos em Itu, pertinho de São Paulo capital e lá, nas escolas de idiomas, só se ensinava inglês, com alguma luta acharia alguma que ensinasse francês e no Instituto Dante Aleghieri italiano.

Sem dizer que quem quisesse fazer intercâmbio não tinha tantas opções de instituições ou agências para escolher. O Rotary era a opção mais conhecida e acho que até hoje, a mais barata. Mas também havia uma agência grande chamada AFS.

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Ao chegar lá, tudo muito bem, tudo muito bom. Um dos meus 5 irmãos (Ricky, que já tinha feito seu intercâmbio em Santos, SP) me ajudava bastante na comunicação, pois como disse: não havia smartphone para que pudesse ir traduzindo tudo! Mas chegou um momento em que ele me deixou a vontade para me comunicar! E não é que aprendi direitinho? (até hoje inclusive me jacto de falar espanhol com fluência!).

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Olha o Ricky aqui no cavalo comigo e com a minha colega de intercâmbio, a americana Marisa

 

Para me comunicar com minha família, telefonava uma vez a cada 10 ou 15 dias. Quando a saudade apertava, era a cada semana. As ligações via embratel, e exemplo de hoje, eram caras!

Preu mostrar para eles como eram as coisas que eu vivia tirava fotos (câmera analógica tá baby?), revelava e mandava por correio. Cada correspondência levava em média 25 dias para chegar!!

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na serra de novo

E eu mandava muitas cartas! E recebia muitas também. Recebia também, dos meus pais, caixinhas dos correios com coisinhas diversas, até jornais com notícias variadas (que me chegavam com um mês de atraso!).

Era outubro de 1995, e eu estava na escola quando vi a internet pela primeira vez, pediram o nome de um jornal grande brasileiro, e eu devo ter dado a Folha de São Paulo ou o Estado de São Paulo, e qual não foi minha surpresa, e vergonha eterna, ao ver na manchete principal do site um religioso chutando uma estátua da padroeira do Brasil…

Ao menos eu tinha cartão de crédito, e com ele poderia fazer saques também. Mas mesmo assim que as vezes me chegavam dólarezinhos por carta!

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Com o querido amigo Sebastián nas colônias Menonitas

Hehehe, eram muitas peripécias, saudade, dificuldades tecnológicas. As vezes penso na moçada que faz intercâmbio hoje (e em mim mesma que voltei a fazer em 2010) e quanta facilidade: dá para conversar pelo viber sem pagar nada, ou skype! Tirar fotos de qualquer coisa pelo smartphone e postar nas redes ou mandar logo pelo whatsApp, usar o visa travel money para compras e saques, ter contatos prévios… Tudo muito mais simples no que tange a tecnologia. Sem contar nos preços das passagens aéreas que hoje são bem mais acessíveis, o que pode oportunizar visitas ao que está longe (normalmente quem está de intercâmbio não pode visitar o seu país).

 

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Ay caramba!

Mas ainda assim eu considero que foi de fato a maior aventura da minha vida, na qual eu aprendi tantas coisas, inclusive a me virar nessas pequenas adversidades e na grande diversidade! Também, cá para nós, qual adolescente quer ter contato e o controle dos pais 24h? hehehe.

Na volta para o Brasil, algumas cartas e telefonemas para os que ficaram no México, e paulatinamente a comunicação foi escasseando. mas já bem no final dos anos 90 a internet entrou na minha vida, e fui buscando contato via e-mail e MSN com os amigos de lá. De modo que com alguns eu me mantive sempre em comunicação.

Quando eu me formei na graduação, em 2000, uma das minhas irmãs veio me visitar em Foz. Foi tão legal! Depois em 2011, encontrei o querido Chacón na Alemanha, em uma emoção sem tamanho.

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Chacón e eu em Mainz (Alemanha)
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Dois anos depois juntos no Novo México (New Mexico)

E então julguei que já era hora de voltar e rever os amigos. em abril de 2012 fui com meus pais e marido para lá, 17 anos sem rever a cidade e tantas pessoas queridas. Foram dias de muita felicidade, sobretudo porque tivemos alguns eventos nos quais reunimos as 3 famílias que me receberam + meus pais! Foi tudo muito gostoso.

E no natal do mesmo ano voltamos! 🙂

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Com os meus irmãos lindos da 2a famíli: Jesus, eu, Angelia ou Adriana, Adriana ou Angelia e Gaby! (diferenciar as gêmeas é uma tarefa muito difícil!)

Que alegria ter essas experiências para contar, bons amigos para rever e boa prosa para relembrar!

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26 Comentários

  1. Nossa! Que emoção, senti agora ao ler essa história, tão verdadeira, que pra nos pai, a insegurança foi imensurável e a saudades, há a saudades não tinha dimensão….Depois de ter conhecido o lugar, as famílias e recebe-los, podemos dizer que não tínhamos como negar a Poliana, essa oportunidade em fazer esse intercâmbio. Acreditamos que foi “ele” que deu o maior impulso pra que ela é o que é, corajosa, despojada, estudiosa, dedicada em seus objetivos. Educação nos transmitimos, mas experiencias para viver o mundo no dia a dia, uma jovenzinha que achávamos tão frágil, foi um gigante. Com certeza foi a vivencia do intercambio que contribuiu e muito para ser a pessoa, que é hoje. PARABÉNS, filha! Continue conhecendo o mundo e suas diversidades…Um abraço carinhoso!

  2. Olha Poliana, lendo esta publicação, passa um filme na cabeça de seus Pais, o quanto foi importante em sua vida aquele intercambio. Nossa falar em saudades é uma coisa que não da para se quantificar, só sei que era muita, mas muita mesmo. Quando vinha uma carta, era uma alegria, por falar em carta quanto esperar pela passagem do carteiro! Telefone era muito caro, mas enfim eles aconteciam um a cada 10/15 dias. Aos domingos tínhamos uma tarefa era de escrever para você, preparar envio de caixas ( contendo $, sapato, guaraná etc.) Poli, somente apos 17 anos é que fomos conhecer suas famílias, Mexicanas . Que maravilha, que gente tão hospitaleira, agradável acho que nunca vamos conseguir retribuir o quanto de atenção nos deram, só resta dizer muito abrigado e que Deus lhe retribuem.
    Mas enfim eram outros tempos internet não existia, passagens áreas eram bem caras, mas tudo valeu e principalmente pela formação de nossa Filha .
    Grato ao pessoal do Rotary de Itu SP. que deram a chance á Poliana de participar desse intercambio.
    A você Poliana que tão bem soube aproveitar a oportunidade, não se esqueça seja sempre vigilante outras oportunidades vão acontecer, aproveite.
    Um beijo com carinho e saudades
    Pai e Mãe e demais membros da familiares te amamos muito.

  3. Poli
    Que felicidade poder compartilhar destes teus momentos especiais.
    Parabéns pelo post, pelo relato e obrigada por nos permitir viajar com você de alguma forma

    Beijos, te admiro muito!

  4. AMEIIIIII ler essa postagem! Digo que eu fiquei arrepiada, e senti a emoção e carinho com que você a escreveu! Muito legal ler um pouquinho sobre a sua experiência com o intercâmbio no México, obrigada por compartilhá-la! Beijos.

    1. Que bom que algumas coisas mudaram para melhor, mas que chato que estamos o tempo todo conectados muitas vezes sem olhar para os lados né?
      Obrigada pela visita! Abraços

  5. Que maneiro, Poliana! Adorei seu relato!!!
    A nossa vida antes era muito mais aventureira!! Hehe. Eu adorava escrever cartas, e mandar lembrancinhas dentro dos envelopes. Bons tempos!!!
    Bjao, querida!

  6. Poli, que delicia! Eu acho, acho porque não fiz, o intercâmbio de antes mais difícil. Mas a contraponto disso tudo, é que era muito mais intenso não? Eu vivo a um oceano de distância da minha família e dos meus amigos, e , com a tecnologia não me sinto tão só. É óbvio que nada substitui um abraço, mas que quebra um galho, ahhhhh , quebra. Super váliso, e, principalmente por ter conhecido esse país tão acolhedor que é o México. Tenho certeza que todos ainda te dizem , “tienes aquí tu casa…” Saludos!

  7. Nossa, Poliana, que post lindo, cheio de recordações e relatos de vivências em tempos difíceis. Ninguém sobreviveria hoje sem internet, whatsapp, skype, etc, tenho certeza. Como você não tinha nada disso, só te restou socializar e aprender, por isto tem tantas histórias para contar. Parabéns, amei o post, sou louca para fazer intercâmbio e hoje aos 51 anos estou me programando para ano que vem ir talvez para a Irlanda, quer ir comigo?

  8. Poliana,

    Adorei ler sua experiência. Eu nunca tive essa oportunidade, mas ano passado recebemos aqui em casa uma intercambista do Lions e foi super bacana.
    Vou preparar o meu pequena para ter essa experiência, com certeza.
    Beijos,

    Fran @ViagensqueSonhamos

  9. Que delícia de experiência e que despreendimento dos seus pais (não me entenda mal, eles estavam certíssimos). é que eu, hoje no papel de mãe me agonio só de imaginar que semana que vem minha filha vai ficar TRES LONGOs dias num acampamento com a turma da escola e sem poder levar celular (regras do acampamento) e euzinha vou ter que sofrer todos os dias em completa agonia até as 21 horas quando as fotos do dia serão postadas no site oficial do tal acampamento… OK Ok.. Já fiz meu dramalhão rsrsrs Parei !! rsrsrsrs
    Mas tem que ser assim… a gente cria os filhos para o mundo né?
    Muito legal você não ter perdido o contato com as pessoas que fizeram parte duma fase tão importante da sua vida! O reencontro deve ter sido emocionante!
    Ah.. e viajar naqueles tempos tinha um charme extra né? Hoje em dia a gente tem TANTA informação que quando chega num lugar já viu mil vezes em fotos, 800 no YouTube e outras tanta no Google Street View.. rsrsrs

  10. Nossa, que coragem você teve ! Nessa época sem as tais facilidades que existem hoje foi uma verdadeira aventura. Intercâmbios são experiências incríveis ,eu nunca tive oportunidade de fazer mas pude oferecer aos meus filhos e eles me dizem que foi a melhor coisa do mundo.

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