América do Norte

Ciudad Juárez, Chih México

Juárez era nossa parada principal dessa viagem toda: estávamos como professores convidados da Universidade Autónoma de Juárez para um período de 3 semanas, e mesmo que não ficamos o tempo todo lá (os finais de semana passávamos em El Paso link do post aqui) e o trabalho nos consumia bastante tempo, deu para conhecer bastante bem a cidade.
Essa não era nossa primeira estadia lá, mas foi agora que pudemos sentir um pouco mais da cidade.
Para começo de conversa, logo no nosso segundo dia fomos levados a um tour muito especial… Fomos convidados por um dos mais influentes ($$$) empresários locais para sermos conduzidos por ele mesmo a visitar todas as periferias da cidade! Sim isso mesmo, foi um tour sociológico. Sempre acho que por sermos brasileiros poucas coisas nos chocam, mas aqui a coisa foi acachapante! Ficamos 5hs dentro de um carro percorrendo toda a cidade (que é uma das maiores do país e bastante controlada pelo narco tráfico até hoje, embora a onda de violência já tenha diminuído sensivelmente) que é bastante espalhada vendo não apenas pobreza, mas o descarado uso do dinheiro público para o proveito privado de poucos, muitas casas abandonadas (por muitos motivos) – ao redor de 120 mil, bairros distantes de tudo que não são acessados por ônibus, não tem escola, hospital ou mercado próximo e são construídos por empreiteiras privadas e financiados pelo governo. Para o cúmulo, na intenção de validar esses bairros distantes até de Deus (sim nem as igrejas evangélicas chegaram lá) o governo municipal coagiu as instituições de ensino superior a instalar campi igualmente distantes… Uma loucura. Nunca na vida vi uma cidade em total estado de abandono público e falta de execução de planejamento urbano: hospitais abandonados, ruas com apenas uma via pavimenta, estradas que saem do nada para lugar algum… Coisas assim. Ficamos bem tristes, até deprê, sabe?
Mas é claro que esse sentimento não nos acompanhou o tempo todo. Cada vez que cruzávamos uma das pontes internacionais era uma experiência de tratamento diferente, até situação de nos pedirem suborno vivenciamos (obrigada agentes da imigração mexicana por reforçar o negativo esteriótipo que têm de nós latinos).
Ficamos uma parte da estadia hospedados na casa do já amigo Francisco e outra parte em hotel. O hotel era bastante confortável, com um delicioso café da manhã que era servido até o meio dia (!!! quando almoçar as 15h é normal, tomar café da manhã a essa hora tá valendo né?). Mas estar na casa das pessoas sempre nos dá outra perspectiva da noção de hospitalidade que têm as pessoas né? E no nosso caso fomos bastante afortunados por nosso anfitrião, que nos levou comer tortas deliciosas (sanduíches de abacate mais informações aqui), burritos bem gostosos (pra quem não sabe o que é clique), me apresentou às inesquecíveis gorditas (tortillas recheadas nhaccc – pra salivar clique) e aos pães de doce mexicanos, nos ofereceu o melhor tequila que poderíamos ter provado lá (link da marca) o qual tomamos quase meia garrafa entre 3 pessoas, sem embebedar ou ter ressaca!, e tantos outros detalhes miúdos da hospitalidade, que nos faz agradecer sempre a ele.
O período na Universidade (link) foi bem rico, com bastante trabalho sim mas também bastante novidade e perspectivas positivas futuras.
Já na última semana fizemos um tour mais turístico mesmo, e visitamos o centro da cidade, o Museu da Revolução na Fronteira (link) – que como todos os outros museus mexicanos que já visitei é muito bom, a catedral, e outros lugares interessantes.
No final, ficamos contentes com a experiência, que nos trouxe muitos ganhos e aprendizagens. Voltar para trabalhar de novo, não sei se tão já (ao menos no meu caso), mas de visita certeza.
Juárez como cidade de fronteira sempre tem suas antagonias, choques, alegrias…
Não é qualquer fronteira, é uma fronteira com os EUA, cheia de gente querendo cruza-la para viver o sonho americano. É uma cidade que viveu uma terrível onda de violência até ganhar o posto da mais violenta do mundo – guerra de narcotraficantes, cuja economia gira em torno de maquiladoras (fábricas que produzem no México por ter mão de obra barata (explorada), levam o produto para os EUA – quase sempre – e depois revendem ao México…  triste…), e cujo fluxo de visitantes gira em torno do maior consulado americano do mundo (se um dia você adquirir cidadania americana, terá que forçosamente ir até Juárez por seus documentos!).
É uma fronteira de Estados, é uma fronteira social, é uma fronteira cultural: é toda uma fronteira.

casas abandonadas
Casas abandonas…
cada um se defende como pode.
bairros precarizados
Museu Casa de Adobe
Museu Casa de Adobe
Museu Casa de Adobe
Museu Casa de Adobe
Museu Casa de Adobe: bem na fronteira com o Texas e o Novo Mexico
Museu Casa de Adobe: detalhes
Museu Casa de Adobe: na fronteira, sem muros ou cercas… mas com a border patrol sempre de olho
Adicionar legenda
no marco da fronteira do Museu Casa de Adobe
Coreto no centro
Confeitaria/Café Central: muy tradicional
Catedral
Museu
Pão de doce do Café Central
edifícios de interesse histórico
no museu da revolução
Igreja
um dos muitos cartazes procurando mulheres desaparecidas….
vista do centro: lembra o de Macapá
tequila, sangrita e limão! delícia
torre da catedral.
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7 Comentários

  1. Olá Poliana!
    Encontrei seu blog por acaso e gostei muito!
    Gostaria de entrar em contato com você por email. Sou geografa e estou indo passar 2 meses em Ciudad Juarez e é muito dificil encontrar brasileiros que estiveram lá para trocar informações.
    O meu email é ericaliberato@yahoo.com.br
    Aguardo contato
    Abraço

  2. Oi Poliana, aproveitei este post pra enviar um e-mail tb a vc. Preciso muito da ajuda de alguem, pois provavelmente vá para Juarez apresentar um trabalho de Congresso, mas irei sozinha, e não conheço ninguém que tenha ido. Enviei um e-mail pra vc pra trocar algumas ideias.

  3. Muito interessante achar um blog de viagem que fale sobre Juarez. Estou morando aqui fazem 3 meses, de fato, uma realidade muito triste. Sinto que para mim mulher, essa cidade e muito machista,. Costumo ter cuidados que nao tenho em outros locais ao andar na rua e sair nos lugares.
    Por mais que nao seja tudo aquilo que li nas noticias, a cidade e muito pobre e triste. Trabalho aqui numa empresa, me apaixonei pelas pessoas e pela cultura. Quanto aos subornos ja falei com muitas pessoas que passaram por isso, parece ser normal.
    Se ainda tiver contatos daqui ou dicas sobre o local, ficaria agradecida

    1. Nadine, obrigada pela visita e pelo comentário. Se quiser deixar aqui algumas dicas pontuais de lugares legais em Juarez, outros podem ser ajudados. Um abraço.

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