America do Sul

Buenos Aires: visita #6 o restante

Ontem escrevi um post sobre essa sexta visita à capital argentina, e ele ficou enorme somente com as atividades do dia 1 (o link tá aqui ó) e por isso decidi fracionar, pois ninguém iria ler um texto tão gigante!
Por isso, sequenciando as atividades, no domingo – chuvoso e feio – fomos para a Feira de San Telmo (link): devo dizer que está longe de ser um lugar que aprecio, talvez porque essa seja a segunda visita que faço lá e a segunda com chuva! Mas a Tati queria muito visitar e fomos. Descemos na Praça Dorrego e caminhamos pela Av. Defensa até a Praça de Mayo, ou seja, quase toda a feira (são quase 3km!)
No final da tarde, as 5h, tínhamos agendado o chá no Alvear (link para reservas), para o qual eu tinha alguma curiosidade sim pela visita ao icônico hotel. Tudo muito bem, tudo muito bom, tomamos o chá (com chá da Ines Berton, oh) com muitos docinhos – até de mais, uma manteiguinha não cairia mal em meio à geleias. O lugar é realmente muito  bonito e elegante, tanto o hotel – a parte que pudemos ver – como o L’Orangerie onde tomamos o chá, com toda a sua prataria e porcelana francesa personalizada. Todas partes por onde passei me deixaram impressionadas pelo seu décor fino, dourado, tradicional: de outros tempos sim senhor, sem ser cafona. É claro que eu não teria isso em casa, mas ficaria hospedada lá numa boa sem recear (of course not) ser kitsch. Como mencionei no post anterior, vou fazer uma postagem específica somente sobre os cafés, são muitos detalhes, e o chá do L’Orangerie vai entrar nessa ok?
Depois de tanto comer docinhos só nos restou caminhar até o nosso hotel, o que foi bastante, que segundo minhas pesquisas foram 3,7 km de caminhada em linha reta, pela Recoleta até o Microcentro admirando a arquitetura das Avenidas, o vai e vem das pessoas o movimento dos carro, a noite de domingo começando e admirando como nos sentimos seguros de fazer o percurso sem receios maiores de assalto. Suspiros…
Como chegamos no hotel ainda relativamente cedo, perto das 20h, demos um tempo lá e fomos dar uma caminhada pela 9 de Julho no sentido da Av. Corrientes, que é a avenida dos teatros. Uma delícia ver o entra e sai do públicos das funções comentando sobre as peças. Gozado né? Do jeito que se fala em crise da Argentina, parece que a vida cultural cessa completamente, mas nada disso, ela continua firme e forte. Possivelmente reduzida a uma parcela da população, diminuída, mas não cessou: ela tá lá. Comemos deliciosas empanadas assadas no forno de barro na pizaria Napolitana, na mesma rua, uma delícia: pode-se tomar o chá no Alvear por AR$180 mas comer 3 empanadas por AR$18! Sem perder a delícia, sem o clima portenho, que cidade!
No último dia de passeios resolvemos logo de manhã ir para Santa Fé e começar o passeio pela lindíssima livraria El Ateneo (link celebrando os cem anos da livraia/editora), cujo prédio histórico abrigou um teatro – talvez alguns não se dêem conta, mas existe outro Ateneo na Florida no número 340, bem na altura da av Corrientes – e hoje é até uma atração turística na cidade, nesta cidade cheias de boas livrarias esta certamente se destaca pelo seu prédio, bom café, e excelente acervo. Mas ó, eu também gosto das livrarias Cuspede e da Yenny (que acabo de saber também são Ateneo). De lá, dar uma olhada nas vitrines da rua enquanto caminhamos rumo ao centro (sim a pezito) era obrigatório!
A tarde, fomos até o Barrio de Flores (sim, você deve estar pensando: hum… o nome desse bairro me soa familiar, mas sei que ele não é turístico: por que já ouvi falar? é o bairro do papa Francisco, embora tenhamos ido até lá, por onde andamos nada indicava papacidade, acho que por não ser turístico mesmo – ainda que existam alguns tours temáticos por lá sobre ele, mas o tema papa está em suvenires e até em protestos: usando a imagem do papa e indicando em cartazes que querem o pão nosso de cada dia a preço justo!) para visitar a Confeitaria Las Violetas (cujo link curiosamente está fora do ar) que eu já tava de olho desde a última visita a BsAs (link aqui) quando visitei com  duas colegas de trabalho, sendo uma bastante entusiasta de cafés e confeitarias em geral a Ideal, que achei pobre coitada, e me coloquei a pesquisar qual seria uma confeitaria comparável à Colombo do Rio, e a resposta que achei foi que seria a Las Violetas e fiquei com isso na cabeça… O local e histórico com seus 150 anos de idade, um bonito e grande prédio! Gostei de ter ido até lá, longe a beça, mas valeu a visita, que será detalhada proximamente.
Ainda era cedo, e resolvemos fazer uma parte do caminho a pé, de volta ao hotel ou ao centro, pois todo o trecho seria muita coisa mesmo…. caminhamos muito, uns 2 km passando por ruas secundárias e arborizadas, pela faculdade de psicologia da UBA que enche o entorno de estudantes, para algumas quadras depois dar espaço a ‘hotéis de paso’, e assim fomos até cansar e tomar um taxi até o lindo e querido Puerto Madero.
Tomamos muitas fotos lá, no entardecer quando o rio vai ficando cor de doce de leite, e as calçadas vão se enchendo de gente saindo do trabalho, se encontrando prum bate papo antes do tarde jantar. Foi gostoso sentar calmamente para contemplar o lindo da paisagem, brincar de sonhar de morar lá no prédio X, suspirar o romantismo que a cidade, aquele lugar e o momento inspiravam, contemplar as pessoas correndo ou simplesmente passeando com os cachorros… A vida parecia agitada na vida dos outros e pura calmaria na minha! Devaneios a parte a barriguinha tava roncando e fomos novamente para o Cabaña Villegas onde já havíamos jantado e queríamos novamente provar o ‘ojo de bife’ (parece que o bife de chorizo tá em baixa tá? o Ojo – coração da alcatra – muito mais macio é a sensação por agora), tomar um vinho e nos despedir que no dia seguinte cada casal iria para seu respectivo aeroporto em horários e destinos distintos! Finalizado com um delicioso sorvete de doce de leite, o jantar encerrou com a já clássica caminhada do Puerto Madero até o pretenciosinho NH City and Tower pertinho da Casa Rosada, onde estávamos hospedados.
O dia seguinte, coroado por atrasos sem fim para todos com os dois aeroportos fechados, e uma viagem prevista para encerrar em Irati as 18h30 só encontrou seu fim perto da uma da manhã. Sim eu estava muito cansada ao chegar, mas bem feliz: efeito Buenos Aires sobre minha pessoa.
Não fiz compras, não me joguei nas vauquitas, não fui na Pacífico e aliás quase nem andei pela Florida (quem precisa né? risos). Comi delícias, conheci novos lugares, amei mais meu marido, adorei ver minha irmã e cunhado aproveitando pela primeira vez a cidade e planejando voltar.
Não tenho em sonhos a pretensão de dizer que me sinto parte da cidade, dado o número de vezes que já a visitei, pois o encantamento que ela me desperta ainda é grande demais para isso, mas quero dizer que já tô planejando voltar e listando visitar algumas coisas que ainda não visitei, fazer coisinhas que não fiz – talvez umas comprinhas?.
No mais, quero ainda informar que a revista Viagem e Turismo desse mês tá com uma matéria de capa boa sobre a cidade com ênfase na situação cambial do país (que tanto pode nos confundir) e nas ciclovias e os passeios que podem ser feitos por ela. Recomendo a leitura tá?

Congresso Nacional, achei essa área meio perigosinha: tá cheia de políticos!
fica a mensagem do prédio: não há sonho impossível.

 

Cenas de San Telmo
banca de revistas toda decorada com estilo Fileteado Porteño, declarado patrimônio nacional!
Cenas de San Telmo
Cenas de San Telmo: Mafalda se encontra com Alfie!
Cenas de San Telmo
interior da bonita Farmácia Estrella, calle Defensa ao lado do Museo del Fileteo
detalhe da Igreja de Sn Francisco, Calle Defensa

 

Alvear, chá das 5h
o lindo interior del Ateneo
interior de Las Violetas
Las Violetas
xis: Las Violetas

 

entardecer em Puerto Madero
última noite no Villegas!
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